O barato de ser baixinho

17/Oct/18

Abrir a janela e não ter uma visão panorâmica do bairro pode ser vantagem e significar economia na hora de comprar um apartamento próprio. Unidades nos primeiros andares costumam ser até 15% mais baratas do que as localizadas nos pontos mais altos dos edifícios.

O menor preço atrai tantos interessados que os imóveis desse tipo costumam evaporar quando postos à venda. A dona de casa Anita Alencar, de 55 anos, lembra que, ao negociar a compra do seu num lançamentoem Jacarepaguá, só encontrou um disponível a partir do terceiro andar:

- Quando vimos, os do primeiro e segundo andares já tinham sido vendidos. Acima do terceiro, os preços iam aumentando uns R$3 mil.

No residencial Facilitá, da Leduca, em Maria da Graça, a unidade do primeiro andar custa R$12 mil a menos do que um do 13º. Paulo Marques, sócio-diretor da construtora, explica que, além da paisagem do entorno, o barulho faz o preço diminuir, mas a defasagem não pode ser grande:

- Não adianta divulgar imóveis a R$50 mil e, ao chegar lá, o cliente não encontrar mais. Grandes diferenças de preço atrapalham inclusive a venda dos imóveis mais caros.

O gerente geral de imóveis da imobiliária Apsa, Jean Carvalho, lembra que a diferença de preço só existe quando a venda dos imóveis é feita na planta.

- Em apartamentos usados, o abatimento diminui. Até porque, algumas pessoas preferem os inferiores, já pensando em situações de queda de energia.

O clientes devem desconfiar se, ao procurar um imóvel, encontrarem um apartamento em andar superior com preço mais baixo. O morador pagará menos para ter uma vista mais ampla da janela, mas, para chegar em casa, só terá a opção de subir de escadas.

A situação é comum em alguns empreendimentos voltados para o programa habitacional "Minha casa, minha vida", como no Residencial Califórnia XIII, em Bangu. Os apartamentos de dois quartos mais baratos custavam R$86.750, mas eram localizados no quinto andar do prédio, que não tem elevador. No anúncio, entretanto, não havia asterisco ou letras miúdas informando a que unidades o preço menor se referia.

Apartamento com jeito de casa

Está deixando de ser regra encontrar apartamentos de primeiro andar mais baratos do que os demais do prédio. Algumas construtoras têm investido em unidades térreas com cara de casa para atender à demanda de clientes que querem espaço. Eles chegam a ser 40% mais caros, mas, como têm área externa privativa, são bem disputados.

Lançado no feirão da Caixa, no mês passado, o Moradas de Bangu tem apartamentos tipo casa com 99 metros quadrados, que custam R$238 mil. As unidades dos andares superiores têm 50 metros quadrados e valem R$169 mil.

- Os apartamentos dos andares mais baixos oferecem uma área externa privativa para que o morador possa montar sua área de lazer, além de ter as opções de diversão que o empreendimento oferecerá, como piscina, churrasqueira, playbaby e salão de festas - explica o gerente comercial da construtora Fernandes Araújo, Paulo Cesar Andrade.

No Stilo Residencial, construído no Pechincha pelo Grupo Avanço Aliados, os apartamentos tipo casa foram os primeiros a ser vendidos, mesmo sendo R$82,7 mil mais caros do que os de andares no alto. De acordo com o diretor da empresa, Sanderson Fernandes, o projeto diferenciado na região justifica tanto sucesso.

- Vimos que o público da região gosta muito de casas, razão de termos projetado apartamentos diferenciados. O cliente terá o conforto de morar numa casa, com a segurança de um condomínio - justifica Fernandes.

Baseando-se também no estilo de moradia mais comum da região, a PDG CHL lançou o residencial Bons Ventos, em Irajá. Os apartamentos térreos são maiores que os demais e têm churrasqueira, jardins e piscina.

- O grande apelo deste tipo de imóvel é que ele se assemelha a uma casa pelo tamanho e pelo conforto, mas tem a praticidade e a segurança de um apartamento. Une o útil ao agradável - avalia o presidente da construtora, Rubem Vasconcelos.