Op�es para bons neg�cios

24/Apr/18

Apesar de a demanda por imóveis comerciais ainda ser dominada pela Zona Oeste, principalmente pela Barra da Tijuca, cidade tem projetos de grande porte em andamento no Centro e nas Zonas Portuárias e Norte

Antes de o Rio de Janeiro se tornar a "bola da vez" dos grandes investimentos, como afirmam alguns especialistas, a cidade já vivia um momento de intensa valorização. Entre 2000 e 2010, os imóveis comerciais valorizaram 700%, frente aos 500% de elevação registrados por São Paulo no mesmo período. Os dados são do índice Geral do Mercado Imobiliário - Comercial (IG- MI-C), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, muitas empresas tem vindo à cidade montar seus escritórios a fim de investir e lucrar com o excelente momento da cidade. Seguindo a tendência, os imóveis comerciais, que já estavam valorizados, valorizam-se ainda mais com edifícios dotados de conceitos modernos e inovadores.

CEO da Ameni Real Estate Consultoria, Ararê Patusca lembra que o Rio de Janeiro tem 15 milhões de habitantes e é responsável por dois terços do PIB, além de oferecer muitas vantagens para quem se instala no estado e, principalmente, na capital. "O governo carioca oferece 38 incentivos fiscais diferentes para as áreas de comercio e serviços. Outros seis benefícios são para as áreas de indústria e cultura, e às vezes os Incentivos chegam a 100%. lsto é muito atrativo", disse. "Cerca de 9% de toda a população economicamente ativa do Rio tem quinze anos ou mais de estudo. O empresário pega todo esse panorama e fica impressionado", completou.

Apontada com uma das áreas de maior crescimento na cidade, a Barra da Tijuca, na Zona Oeste, tem atraído mui¬tos investimentos e é apontada ainda como o principal vetor da expansão dos espaços corporativos. A região abrigará boa parte dos equipamentos utilizados nos eventos esportivos, além de receber a TransOeste, corredor expresso que fará a ligação à Santa Cruz, reduzindo o tempo de viagem entre os bairros e melhorando o tráfego na região.

"Lá, conseguimos desenvolver projetos maiores e melhores de alto padrão ("triple A"). Lançaremos este ano uma nova área na avenida Abelardo Bueno", afirma o diretor comercial da RJZ Cyrela, Mareei Antonialli. O Shopping Metropolitano foi lançado e as obras serão iniciadas no próximo mês. Ao lado do imóvel, será construído um prédio comercial, cujas obras começarão em maio. O valor geral de venda (VGV) do prédio comercial é de R$ 190 milhões.

Presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), José Conde Caldas atribui a procura pela Barra principalmente às exigência de alto padrão, qualidade, tecnologia e segurança das multinacionais que buscam o Rio para se instalar. Apesar de a Zona Oeste estar se expandindo, por enquanto, apenas 10% dos escritórios estão na Barra, observa o diretor-presidente da Tlshman Speyer, Daniel Cherman. Ainda segundo ele, no bairro o metro quadrado custava R$ 4 mil e hoje custa R$ 8 mil.

LANÇAMENTOS. Nos imóveis comerciais de bairro também a procura também tem sido grande. Segundo o sócio-diretor da Leduca Empreendimentos Imobiliários, Paulo Marques, nos últimos cinco anos houve grande crescimento na região da Zona Oeste, e este tipo de escritório visa atender a demanda da própria localidade.

"Na Freguesia, em dezembro, lançamos 154 unidades que fórum 100% vendidas antes do lançamento", disse ele. A Leduca lançará em junho um empreendimento com 240 salas comerciais e cinco lojas na Freguesia. O valor geral de vendas (VGV) está calculado em R$ 32 milhões. Segundo Marques, o diferencial da construtora é aliar trabalho e lazer em um só lugar.

Até junho, a Fernandez Me¬ra lançará mais de 2 mil salas em nove empreendimentos na Freguesia, Barra, Recreio e Campo Grande com investi¬mentos de R$ 400 milhões. Pa¬ra o fim do ano serão lançados mais 15 empreendimentos co¬merciais e os investimentos passarão de R$ 1 bilhão.

O Centro tem ocupado consolidada - abriga 70% dos escritórios dii cidade, segundo dados dn consultoria Ainenl -, mus ainda apresenta espaços para crescer. A região, segundo

Ararê Patusca, apresenta imó¬veis deteriorados que podem ceder lugar a espaços mais qualificados. Seria um movi¬mento semelhante ao que já ocorre no porto. Em 2000, a Tishman começou a construir as torres gêmeas Ventura, na Avenida Chile, com investi¬mento de R$ 600 milhões. Atualmente a empresa termina o retrofit (reforma) de um edifício na Rua do Ouvidor e um prédio de 14 mil metros qua¬drados na Avenida Presidente Vargas, com investimentos de quase R$ 500 milhões.

PONTO MARAVILHA. Devido ao desenvolvimento do projeto de revitalização da Zona Portuária, apelidada de Porto Maravilha, muitas empresas começam a buscar terrenos e a estudar os possíveis projetos no local. Um exemplo é a Tishman Speyer, que, acreditando no potencial imobiliário da região, acaba de adquirir o primeiro terreno lá. A incorporadora planeja investir R$ 250 milhões para começar a erguer ainda este ano, o Port Corporate, edifício de 18 andares e 32 mil metros quadrados.

Na opinião do presidente da Ademi, o projeto Porto Maravilha não é só urbanístico. "Atrairemos não só empresas novas, mas várias já presentes na cidade. A Eletrobras que durante multo tempo trabalhou em prédio alugado, agora terá prédio próprio, a Vale, que cresce multo precisa de mais área, e a Petrobras, nem se fala", disse.

Samuel Schvaitzer, diretor da Imobiliária Fernandez Mera, afirma que muitas empresas estavam procurando outros locais em vez do Centro, e assim ocorria um êxodo. Com os projetos do Porto Maravilha, afirma, a região passa por um novo aquecimento. "Percebo uma enorme procura de grandes investidores para revenda e futura locação", disse.

Segundo o diretor comercial da construtora Comasa, Antonio Carlos Moraes Rego, a cidade se superou após vi¬ver o pior momento, que foi deixar de ser capital federal. "Acreditamos na recuperação institucional do Rio. Entramos em um momento nobre onde as lideranças políticas e empresariais com capacidade de gestão podem resgatar o prestígio e a história do Rio de Janeiro nas áreas de serviço e indústria", disse ele. A Comasa lança em junho um empreendimento comercial em Jacarepaguá, com 518 salas e 45 lojas com volume de vendas de R$ 90 milhões.

A Zona Norte, que vinha sendo preterida nos lançamentos, também tem se revelado uma região atraente e está revertendo o quadro. "Lá, já ocorre uma verdadeira corrida imobiliária, mas as áreas mais pedidas ainda são Centro, Flamengo, Laranjeiras e Copacabana", explica Ararê Patusca.

O Nova América Offices, novo empreendimento empresarial da Zona Norte, lançado pela RJZ Cyrela, é um conjunto três torres, duas com 16 e outra com 13 andares, que oferecerão 914 unidades em área construída de mais de 41 mil metros quadrados. O edifício comercial funcionará ao lado do shopping Nova América Outlet Center.